
(Este texto é baseado na obra do
Dr. Manuel Maria Antão )
Esta freguesia
situada no extremo sudoeste do concelho, dista cerca de vinte quilómetros
da vila de Pampilhosa da Serra. Faz parte do Baixo Concelho. Compreende os
seguintes lugares: Trinhão, Vale do porco, Vilar, Ribeiro do Soutelinho,
Folgares, Padrões, Casal de Baixo, todos eles na margem esquerda do rio
Zêzere, Soutelinho, Indioso, Vale da Gata, Ribeiro de Além, Ribeiro do
Indioso, Ervideira, Amoreira Fundeira e Amoreira Cimeira, situados na
margem esquerda do rio Unhais.
A configuração
hidrográfica desta freguesia permite considerá-la como uma pequena
península no centro de Portugal, pois, encontra-se entalada entre os rios
Zêzere e Unhais que a limitam desde a sua foz, na direcção norte do
concelho, até ao seu término no extremo do cabeço murado. Este cabeço
é um monte aplanado, com 720 metros de atitude, situado estrategicamente
a cerca de dois km do rio Zêzere e a 1km do rio Unhais, junto à estrada
da Pampilhosa da Serra - Amoreira, do lado direito, em frente ao lugar do
Trinhão.
Portela do Fojo não
é, nem nunca foi uma povoação. Foi apenas o nome escolhido para
designar a freguesia. A escolha deste nome terá estado relacionada,
segundo Manuel Maria Antão, com o facto da igreja paroquial ter sido
edificada numa "portela", junto ao Vale do Fojo, centro
geográfico da freguesia.
A freguesia de
Portela do Fojo embora oficialmente criada em 1792, só se assumiria como
freguesia, em 1 de Novembro de 1795, após a construção da sua igreja
paroquial. Integrava os lugares de Trinhão e Várzeas, que até aí
pertenciam à freguesia da Madeirã e ao concelho de Álvaro; Vilar de
Amoreira, Padrões, Folgares, Amoreira Cimeira e Fundeira, Indioso e
Soutelinho que haviam pertencido até àquela data à freguesia de
Alvares. Em termos administrativos ficou a nova freguesia dependente do
concelho de Alvares, onde permaneceu até 24 de Outubro de 1855, altura em
que foi extinto, passando a integrar o da Pampilhosa, onde permanece até
hoje.
A
povoação de Vilar
da Amoreira, existente pelo menos desde 1614, viria a ficar submersa, em
meados de Março de 1954, após a conclusão da Barragem do Cabril
(albufeira no rio Zêzere), tal como as pontes de Amoreira e dos Padrões.
A
paróquia da Portela do Fojo de invocação de Nossa Senhora da Paz
pertenceu ao Bispado da Guarda até 4/9/1882, altura em que foi
transferida para o de Coimbra. O cura era apresentado pelo Colégio da
Sapiência de Coimbra.
A capela mor da
igreja matriz da Portela do Fojo foi inaugurada em 1-11-1795, tendo por
orago Nossa Senhora da Paz que era já venerada na capela do Trinhão. É
"um edifício modesto, com torre à direita da fachada. O
retábulo principal é de colunas torcidas e com pâmpanos, dos séc.
XVII-XVIII. Os colaterais seguem um vago estilo setecentista".
O primeiro pároco
desta freguesia terá sido o padre Estevão Serra, da Lomba do Barco
(Pampilhosa), o qual terá sido sucedido pelo padre Manuel Henriques
Serra, logo seguido do padre João, do Vilar Cimeiro. Após o falecimento
deste último, ao fim de cerca de um ano, viria a suceder-lhe o padre
Antunes, natural de Pandos, freguesia de Álvaro, em cuja época foi
construída a residência paroquial que tem na verga da porta principal a
data de 1890. Este sacerdote viria a falecer em 3-3-1902. O quinto pároco
foi José Maria Barata, natural da vila da Pampilhosa da Serra, cujo
óbito terá ocorrido por volta de 1925. Tinha sido ordenado em Beja.
Após o falecimento deste sacerdote, a freguesia foi confiada,
temporariamente, ao padre Augusto Nunes Almeida, natural da vila da
Pampilhosa. No princípio de 1927, a paróquia foi entregue ao padre
Joaquim Maria de Almeida Pinto, natural de Pescanseco (Pampilhosa da
Serra) mas, apenas até Outubro de 1927. Novamente, a freguesia foi
confiada ao padre Augusto Nunes de Almeida, desta vez até 24-11-1929.
Tomou então posse da freguesia o padre José Martins dos Santos Lima,
natural de Carvalho, freguesia e concelho da Pampilhosa da Serra, que
deixou importante obra quer de nível material quer de nível espiritual.
Assinou o último assento paroquial em 19-7-1935. Foi sucedido pelo padre
José Elisio Matias Mendes, em 1936, não sem antes a paróquia voltar a
estar entregue aos cuidados do já mencionado padre Augusto Nunes Almeida.
O novo pároco era natural de Oliveira do Hospital e saiu desta freguesia
em 6-7-1938. Seguiu-se-lhe o padre Luciano Pereira de Carvalho de 6-7-1938
a 14-7-1940 (também pároco do Machio) e que deixou importantes escritos
para a história desta freguesia. Em 1940, foi nomeado pároco do Cabril,
também do concelho da Pampilhosa da Serra. Sucedeu-lhe o padre Benjamim
Alves, natural da freguesia de Pessegueiro.
Situa-se nesta
freguesia de Portela do Fojo uma das poucas casas senhoriais e brasonados
do concelho. Trata-se da casa da Quinta de Nossa Senhora da Memória, no
lugar dos Padrões. Esta quinta constituiu moradia temporária de antigos
fidalgos de Coimbra, que obtiveram as suas terras nesta região por
doação do Prior do Crato. O genealogista José Caldeira, no artigo
intitulado, A Pedra de Armas da Quinta de Nossa Senhora da Memória em
Padrões – Algumas achegas herádico – genealógicas, publicado no
jornal a Comarca de Arganil, em Janeiro de 1997, descreve o brasão na
forma seguinte: "O escudo
é , apresentado no primeiro e quarto quartéis as armas dos Fonsecas, no
segundo a dos Baratas e no terceiro as dos Henriques. Diferença: uma
brica carregada de ... (um farpão?). Elmo perfilado e fechado como
compete a nobre não titulado. Timbre de fonsecas. As armas dos Fonsecas
são de vermelho com 5 estrelas de ouro postas em sautor, ... com 1 touro
passante de vermelho, armado de ouro e carregado na espádua de uma
estrela de 7 pontas do mesmo metal.
O brasão dos
Baratas é de negro com 3 mãos direitas espalmadas de ouro. ....
Quanto ao quarto
quartel dedicado aos Henriques é representado por um campo de vermelho
com 1 castelo de ouro, aberto, iluminado e lavrado de azul, mantelado de
prata carregado de 2 leões confrontados de púrpura, armados e
lampassados de azul".
Este brasão
havia sido concedido a Manuel José da Fonseca Barata, Fidalgo Cavaleiro
da Casa Real e Cavaleiro Professo da Ordem de Cristo, morador na sua
Quinta de Nossa Senhora da Memória, Padrões, Alvares, por Carta de
18-2-1787.
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