Situa-se esta
freguesia no sudoeste do concelho, perto do rio Unhais e distando da sede
cerca de catorze quilómetros. Compreende os lugares de Machio de Cima,
Machio de baixo, Maria Gomes e Travessa.
O topónimo Machio
surge em diversos documentos medievais e pela primeira vez, que temos
conhecimento, num documento de 1241. Trata-se da sentença dada pelo bispo
da Guarda na questão entre o prior da Pampilhosa e o prior da Vila de
Alvaro sobre os dizímos do Machio. Ao levantar-se uma questão entre os
priores de duas vilas sobre os dízimos deste lugar, parece ser legitimo
afirmar que se tratava de um núcleo populacional de dimensões
relevantes.
O Machio é também
indicado na carta de foral de Alvares. Nela, pode ler-se a dado passo:
"....he carta de foro perpetuum que mandamos fazer eu martim
gonçallluez e mjnha mulher maria viegas a vos homeens que pouoaaes essa
nossa herdade d’alvares damo-lla e..... e vae a oujaaes e saae acima do machio
de martim viegas e descendo ao zezere ...". O topónimo, ao ser
referenciado nas confrontações de uma propriedade privada, indicia o seu
povoamento no século XIII.
Conhecem-se registos
de baptismo, casamento e óbito do Machio e do Vale Pereiras, desde meados
do século XVI. Nesta época, todos estes lugares integravam a freguesia
de Pampilhosa. Em 1835, o lugar do Machio foi elevado à categoria de sede
de freguesia, integrando os lugares de Machio de Baixo, Machio de Cima,
Vale Pereiras (estes lugares pertenciam à freguesia da Pampilhosa), Maria
Gomes, Travessa e Portalage(estes lugares sido desanexados do concelho de
Álvaro por decreto de 7/9/1795).
A paróquia do
Machio é de invocação de S. Miguel, pertenceu ao bispado da Guarda até
4/9/1882, altura em que foi transferida para o de Coimbra.
A igreja matriz do
Machio tinha a actual localização e terá sido uma ampliação da capela
de S. Miguel já existente e documentada no livro de Visitações da
Pampilhosa para os anos de 1700-1799. Virgílio Teixeira descreve-a assim:
"É do século XVIII e
dedicada a S. Miguel. Edifício modesto com torre à direita da fachada.
Os tectos são apainelados.
O templo possui
três modestos altares, com tribunas entalhadas ao gosto do final do séc.
XVIII, mas de arte artificianal. A imagem do orago levantando a espada do
arcanjo, é de tipo corrente de esculturas dos séculos XVI-XVII".