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FAJÃO PAMPILHOSA DA SERRA

FAJÃO PAMPILHOSA DA SERRA VITRAL DA IGREJA MATRIZ

FAJÃO PAMPILHOSA DA SERRA

Fajão uma das dez freguesias do concelho de Pampilhosa da Serra "está situada numa espécie de concha rodeada de montanhas, tendo à esquerda os rochedos de Penalva e o cabeço da Mata, para a direita a Serra da Rocha, à rectaguarda a Serra da Amarela e em frente o Picoto de Cebola. A sua situação à beira de uma estrada carreteira que liga a Beira Baixa com as outras Beiras, tornaram-na um centro de passagem obrigatória para os almocreves e outros visitantes que por ali tinham que passar". Pertencem a esta freguesia, para além da sede, os seguintes lugares: Açor, Boiças, Camba, Castanheira, Cavaleiros de Baixo, Cavaleiros de Cima, Ceiroco, Ceiroquinho, Covanca, Gralhas, Mata, Ponte Fajão, Porto da Balsa e Vale Pardieiro.

FAJÃO PAMPILHOSA DA SERRA LUGAR DE CEIROQUINHO

O topónimo Fajão aparece pela primeira vez num documento datado de 1233. Trata-se do foral de D. Pedro Mendes, prior do Mosteiro de Folques, dado à povoação do "Seira", a que também chamavam de "Fajão".

O cadastro da população de Reino de 1527, mandado elaborar por D. João III, revela-nos que o concelho de Fajão tinha 30 vizinhos e que lhe pertenciam, os lugares de Fajão, Cavaleiros e Ceiroco, respectivamente com 24, 2 e 4 vizinhos.

Em 1594 encontrava-se na jurisdição de Coimbra, em virtude das terras do Mosteiro da Folques pertencerem a Santa Cruz de Coimbra.

No princípio do século XVII, em 7-2-1604 teve início a demarcação do termo de Fajão, que abrangeu um vasto território que ia da cabeça de Gandulfo, nas proximidades do Picoto de Cebola, passando pela selada de Portelo, até às covas do Rabalvo e atingindo a estrada que ia para Casegas.

Fajão foi sede de concelho até 24-10-1855, integrando as freguesias de Dornelas, Fajão, Janeiro de Baixo, Unhais-o-Velho, Vidual de Cima e Teixeira. Nesta data, o concelho foi extinto, passando a integrar o da Pampilhosa, juntamente com as freguesias de Dornelas, Janeiro de Baixo, Unhais-o-Velho e Vidual de Cima.

A paróquia de Fajão, de invocação de Nossa Senhora da Assunção, pertenceu sempre ao Bispado de Coimbra.

A igreja paroquial de Fajão, cuja construção teve o seu início em 2–6-1788, foi edificada no adro do templo anterior. A capela mor foi benzida em 1-1-1789 pelo padre José de Almeida, por provisão do Bispo Conde D. Francisco de Lemos.

"A igreja fica encostada ao monte, tendo sido levantada a torre em frente. O titular é Nossa Senhora da Assunção. Porta de verga curva com cimalha ondulada. Tanto o retábulo principal como os colaterais são de madeira entalhada, do tipo final setecentista, aparatosos e regulares.

No altar-mor vê-se um S. teotónio de madeira, do séc. XVII, indício provável da influência agiográfica do senhorio. No colateral da direita encontram-se duas imagens de pedra, da senhora do rosário e de S. simão, da Segunda metade do séc. XVI".

Também já existia, em 1698, a Capela de S. Salvador; a capela de Nossa Senhora da Guia deve ter sido construída em 1860; a capela do Senhor dos Milagres, da Mata teve licença para a benção passada em 24-7-1878; a capela de Nossa Senhora da Graça, de Cavaleiros de Baixo foi edificada em 1728.

Nos princípios do século XVII, o cura da Igreja de Fajão era apresentado pelo Prior do Mosteiro de Folques e, em 1667, o seu pároco tinha 30 mil réis de renda anual.

Em 1730, António Carvalho da Costa atribui 204 habitantes a Fajão e informa que aquela terra era abundante em linho e no seu concelho havia dois juizes ordinários, dois vereadores, um procurador um escrivão da Câmara, um juiz dos órfãos com respectivo escrivão, um tabelião, um alcaide e uma companhia de ordenanças.

O cura que elaborou o relatório referente à freguesia de Fajão, em 1758, afirma que "Fajão é he villa,cabeça de concelho, comarca da cidade da Guarda e Bispado da cidade de Coimbra. Tem Camera e juiz ordinario que confirma o Doutor Corregedor da cidade da FAJÃO PAMPILHOSA DA SERRA ANTIGA CADEIA HOJE POUSADAGuarda. São senhores da ditta villa o reverendissimo padre reytor e mais conegos regulares da congregaçaõ reformada de santo agostinho do Colegio Novo do Real Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, como também os ligares dos Cavaleiros, Ceiroquinho, Ceiroco e Covanca eos mais lugares da ditta freguezia são dos termos de outras vilas como o lugar das Bouças que he do termo da villa de Goes; Porto da Balsa, castanheira, Ponte de Fajão, de Vila Cova".

Informa ainda o cura que "a villa tem 35 vizinhos; Sobrais,3; Cavaleiros de Cima,6; cavaleiros de Baixo,6; Bouças, 9; Ceiroquinho, 8; Ceiroco,7; Covanca,3; Camba,2; Porto da Balsa, 2; Castanheira,3; Vale do Parddeyro,2; e todos os vizinhos da freguezia são 99 e numro das almas são 342"

As Memórias paroquiais revelam ainda que o orago da igreja, tal como hoje, era Nossa Senhora da Assunção. Tinha 3 altares, albergando o altar mor a padroeira e S. Teotónio, um dos colaterais é dedicado a Nossa Senhora do Rosário e a S. António; o outro dedicado a S. Simão, S. Caetano e S. Sebastião. A vila tinha duas irmandades, uma de Nossa Senhora da Assunção e outra do Santíssimo Sacramento. O pároco era cura de apresentação do Colégio da Sapiência de Santa Cruz de Coimbra e auferia cerca de 20 mil réis de renda por ano. Existiam as seguintes ermidas: da transfiguração do Senhor, em Cavaleiros de Cima; S. Domingos e Nossa Senhora das Graças (particular), em Cavaleiros de Baixo; S. António, em Bouças, Ceiroco e Ceiroquinho; Nossa Senhora da Paz, na Ponte; S. Aragão, em Castanheira; N. Senhora da Natividade, no Porto da Balsa; S. Amaro, na Covanca.

Pelo mesmo inquérito sabe-se que os frutos da terra em maior abundância eram a castanha, pão, algum milho e mel.