Esta freguesia está
situada nas margens do rio Zêzere, no extremo este do concelho da
Pampilhosa da Serra, do qual dista cerca de 35 quilómetros. Compreende os
lugares de Adurão, Carregal, Machial, Pisão, Portas do Souto e Vale do
Carregal; o Alqueidão pertenceu também à sua paróquia, mas civilmente
era parte integrante da freguesia da Barroca (havia sido desanexado de
Dornelas, em 2-III-1895, por iniciativa do ministro João Franco).
O nome Dornelas
aparece pela primeira vez num documento do Papa Alexandre IV, datado de
28-2-1256. Este documento pôs termo a uma longa contenda, iniciada em
1204, entre o primeiro bispo da Guarda e outros eclesiásticos da Beira.
Tal contenda estava relacionada com a posse de terras e Igrejas do termo
da Covilhã, entre as quais se incluía Dornelas.
Em 1561, no mapa
mais antigo de Portugal, vêm assinalados os lugares de Dornelas e
Carregal. Também, em 1569, refere-se, pela primeira vez, o lugar de
(Póvoa da) Raposeira, integrando a freguesia de Dornelas, bem como os
lugares de Barroca, Parada, Bodelhão, Alqueidão, Portas do Souto,
Carregal, Adurão e Seladinhas.
Em 1689, Dornelas
pertencia à Covilhã, bem como os lugares de Machial, Machialinho,
Bodelhão.
Em 1746-47 Dornelas
foi integrada no recém criado concelho do Fundão, onde permaneceu até
1852, altura em que foi transferida para o de Fajão. A partir de
24-10-1855, por extinção daquele concelho foi transferida para o da
Pampilhosa.
Até 1852 pertencia
à comarca da Guarda e à província da Beira.
A paróquia de
Dornelas é de invocação de Nossa Senhora das Neves, pertenceu ao
bispado da Guarda até 4/9/1882, altura em que foi transferida para o de
Coimbra.
Desconhece-se a data
da fundação da igreja matriz de Dornelas, mas deve datar de há mais de
três séculos, naturalmente no lugar de outra, muito anterior, da qual
não restam vestígios. Com efeito há referência, em 1321, à Igreja de
Santa Maria de Dornelas, no arciprestado da Covilhã, colectada em 30
libras, para a guerra contra os mouros.
O corpo da igreja é
de uma só nave, ladeada por duas capelas radiantes. Destaca-se nela a
capela-mor, com belos caixotões dourados, pintados no tecto abobadado,
ornados com motivos florais, e a talha artística a enquadrar o altar,
sacrário e trono, que fica por detrás. O altar-mor, datado do século
XVII, é composto por um retábulo de talha dourada, com camarim e trono,
decorado com colunas salomónicas. A igreja possui imagens, em pedra e
madeira, de grande valor, algumas provavelmente mais antigas que o
edifício. Na chamada Capela das Almas, no topo do braço esquerdo
da cruz que o templo configura, há também talha, caixotões e imagens de
muito valor. Em vez de torre, possui um largo campanário em pedra de
cantaria, datado de 1767, segundo uma inscrição numa pedra lavrada em
forma de concha e colocada no centro daquele, entre os dois sinos, em
plano mais alto e que é composto por duas janelas de cimalha direita.
As memórias
paroquiais do padre encomendado Joseph Manuel, a substituir o pároco
Prior José Dias de Carvalho, datadas de 21 de Abril de 1758 revelam que
"além da sede da sede a freguesia é integrada por dez
lugares ou casaes que vem a ser Alqueidam, Machial, Carregal, Aduram,
Portas do Souto, Seladinhas, Povoa, Bodelham, Parada e Pizam". O
orago, tal como hoje, era Nossa senhora das Neves. O pároco era prior
sendo a apresentação alternadamente do Papa e do Bispo, e tinha de renda
de duzentos mil réis.
Para além da igreja
matriz existiam ainda as ermidas de S. Miguel, em Dornelas, S. Lourenço
do Alqueidão, S. Bento, do Carregal, S. Tiago, de Portas do Souto e S.
Francisco, do Bodelhão.
Revela ainda o mesmo
relatório, que Dornelas pertencia ao termo do Fundão, bispado da Guarda
e província da Beira. Tinha 161 fogos e 609 habitantes.
Os frutos da terra
eram o centeio, trigo, vinho, azeite, milho e castanha, embora com pouca
abundância e à força de muito trabalho.
( Este texto
é baseaso na obra do Doutor Joaquim Eurico Anes Duarte
Nogueira)