PAMPILHOSA DA SERRA

DADOS GERAIS 

Localização geográfica do concelho de Pampilhosa da Serra

O concelho de Pampilhosa da Serra localiza-se na região da Beira, mais propriamente na sub-região do pinhal, pertencendo à região administrativa do distrito de Coimbra. É limitado a Oeste por Góis e Pedrógão Grande, a Este pela Covilhã e Fundão, a Norte confina com Arganil e a Sul com a Sertã e Oleiros. Este concelho é constituído por dez freguesias, Fajão, Unhais-o-Velho, Cabril, Dornelas do Zêzere, Janeiro de Baixo, Vidual, Pampilhosa da Serra, Pessegueiro, Machio e Portela do Fojo, ocupando uma área de 395,1 Km2.
    

Caracterização demográfica

No que respeita à geografia humana, o traço mais característico desta zona é a relativa dispersão do povoamento. Embora não se possa comparar à dispersão característica do norte do pais, trata-se de um povoamento menos concentrado que o das restantes zonas da região Centro.
   

A densidade populacional é baixa, cerca de 19,5hab./Km2, resultado da intensa emigração das décadas anteriores. A evolução da população apresenta um decréscimo acentuado a partir de 1950; no entanto esta tendência tem-se invertido na década de oitenta, essencialmente devido ao regresso de emigrantes.
 

Densidade Populacional-População total
1960/1970/1981/1991(hab./k2)
CONCELHO 1960 1970 1981 1991
Pampilhosa da Serra 13 372 9 245 7 493 7 700
FONTE: Rec.Geral da Pop. 1960/1981/1991 - INE Censos 91 - Resultados Preliminares INE
 
Segundo os dados do recenseamento de 1991 habitam no concelho de Pampilhosa da Serra 7700 habitantes, tendo havido desde 1960 um decréscimo de população da ordem dos 40%.
 
População activa
 
Em 1981, a população activa do concelho representava 31,8% da população total. Esta taxa correspondia a uma diminuição em relação a 1970 (38%), resultado da forte saída de emigrantes na década de setenta. A repartição por sector de actividade mostra a dominância do sector primário (silvicultura, agricultura) com 60% da população activa. A industria transformadora ocupa 22% da população, ocupando o sector terciário 18% da população activa.

Clima

O clima, devido à grande amplitude altimétrica, apresenta diferenças à medida que se caminha para as zonas mais altas do concelho. A precipitação nas zonas altas alcança valores na ordem dos 1600mm , nas zonas mais baixas a precipitação diminui para os 800mm por ano. A temperatura média anual está contida entre as isotérmicas 9º e 15º (período entre 1931-1960).

Morfologia

O concelho de Pampilhosa da Serra está incluído na Zona Serrana, abrangendo altitudes que vão desde a cota dos 300 m até à cota 1 400m. Refira-se que as zonas próximas da cota 300 apenas se situam nas áreas alagadas, que representam no concelho cerca de 2% da área total.
 


É um concelho com elevada amplitude altimétrica, estando incluído no complexo orográfico da Serra do Açor, atingindo a maior altitude no marco geodésico de Cebola (freguesia de Unhais-o-Velho), com 1 418metros e o ponto mais baixo no rio Zêzere com 300metros. Na zona Norte e Nordeste, o concelho tem características montanhosas, levando a uma grande dispersão das bacias hidrográficas.
 

As exposições predominantes estão voltadas a Sul com quase 12 000ha. As áreas planas com cerca de 1 500 ha são ocupadas predominantemente por zonas de planos de água das albufeiras de Sta. Luzia, Alto do Ceira e Cabril (rio Zêzere).

 

Como se verifica da carta de declives do concelho, predominam as classes de declive acentuados ou muito acentuados. Cerca de 38% da área total da zona tem declives superiores a 40%, tornando muito difícil tanto o combate dos fogos florestais, como a tomada de medidas que diminuam o risco de incêndio.
 

 
 

Hidrografia

O concelho está incluído em mais de 70% da sua área na bacia hidrográfica do rio Zêzere (afluente do Tejo), sendo a área restante pertencente à bacia do rio Ceira (afluente do Mondego).

Os principais rios do concelho são o Zêzere, o Ceira e o Unhais. Os dois primeiros têm uma grande parte do seu curso no território concelhio e o terceiro totalmente incluído no concelho.

O relevo acidentado aliado aos extractos geológicos essencialmente caracterizadas por formações xistosas e ao clima determina uma grande multiplicação das bacias hidrográficas elementares. As condições hidrológicas (regime torrencial) dificultam o seu aproveitamento e afectam a instalação da rede viária.

Refira-se que é no rio Unhais e no Ceira que se situam as duas barragens existentes respectivamente Sta. Luzia e Alto do Ceira.


 
 

Carta de Uso e Ocupação do Solo
 
 
 

O presente gráfico e o quadro que se segue, permitem uma leitura clara do uso e ocupação do solo no concelho de Pampilhosa da Serra. Podemos observar que grande parte da área do concelho é ocupada por florestas, reforçando a actividade silvícola deste território. Neste grupo sobressai o Eucalipto e as Resinosas, responsáveis respectivamente por 22,7% e 21,2% da área do concelho. O eucalipto encontra-se disperso por todo o concelho, salientando-se a freguesia de Portela do Fojo onde ocupa vastas manchas. Os povoamentos mistos de Folhosas e Resinosas dispersam-se por todo o concelho.

Note-se a grande importância dos incultos que ocupam 30,46%. Estes incultos, devidos tanto ao abandono da agricultura, como à grande área com declives superiores a 40% (cerca de 15 000 ha), predominam nas freguesias de Pampilhosa da Serra, Pessegueiro, Cabril e Fajão mas no geral estão distribuídos por todo o concelho, tendo aqui a floresta de protecção com povoamentos mistos de resinosas e folhosas um papel importante a desempenhar na diminuição da erosão.

A área reservada à agricultura é bastante diminuta, 3 372 ha, reflectindo não só o seu progressivo abandono, o carácter familiar da sua prática, e a área diminuta das explorações dificultando a mecanização.
 

Vegetação %
Água 1,3
Incultos 30,46
Agrícola 8,5
Florestal 59,1 Folhosas 3,8
    Pov. Misto 11,2
    Eucalipto 22,7
    Resinosas 21,2
 
 


 

Altimetria por Classes de Vegetação

Como se pode constatar da leitura do gráfico anterior, os Povoamentos Mistos de Folhosas e Resinosas prevalecem sobre a Floresta pura de Resinosas e Incultos até à altitude de 700m, a partir daí passa a predominar os incultos que atingem a máxima expressão entre os 700m e os 1 000m. A floresta de Resinosas a partir dos 700m perde expressão e as zonas agrícolas só têm expressividade até aos 770m.
 

Declives por Classes de Vegetação

Da leitura do gráfico anterior, constata-se que, os grandes declives estão ocupados por incultos, como seria de esperar, tornando de grande importância a sua florestação, com as espécies mais adequadas a cada situação. No geral as espécies florestais são as que ocupam as áreas mais desfavoráveis de maiores declives.
 

Exposição por Classes de Vegetação
 
Neste concelho predominam as exposições a Sul e Oeste, as áreas planas são pouco expressivas, não existindo nenhuma preferência da vegetação em relação à orientação das encostas.
 
Tipo de exploração da terra
 
Relativamente à estrutura fundiária, verifica-se no conjunto da região do pinhal uma situação de desequilíbrio. Cerca de 72% das explorações têm menos de 2 hectares e ocupam 20% da área total, enquanto que as explorações com mais de 20ha correspondem apenas a 1,1% da área total. Esta forte fragmentação da propriedade agro-florestal condiciona a tomada de medidas de planeamento com vista a diminuir o risco de incêndio florestal.   

 

Área ardida (1980-1994)
 
Fonte: Instituto Florestal

Como se observa no gráfico, os anos de 1981, 1985 e 1990 foram aqueles em que a superfície ardida foi muito significativa, sem que isso tenha correspondido a uma proporcionalidade directa com o numero de incêndios ocorridos. No ano de 1981 arderam 7 581ha o que representou 19,1% da área do concelho A razão para estes números na nossa opinião reside na existência de grandes quantidades de combustível, áreas continuas demasiado extensas de Resinosas, condições climáticas e dificuldades de acesso.
 

Ocorrências de Fogos Florestais
 
Fonte: Instituto Florestal

A partir de 1992 as ocorrências de focos de incêndio mantiveram-se, mas a área ardida decresceu talvez devido ao aumento de eficiência no combate.
 

 Área ardida (1980-1994)
ANO Número de incêndios Superfícies Arborizadas Superfícies não Arborizadas Total
1980 6 1578 70 1648
1981 3 5 694 1 887 7 581
1982 16 1 231 10 1 241
1983 13 1 788 913 2 701
1984 9 102 45 147
1985 21 9 613 1 315 10 928
1986 17 342 87 429
1987 16 145 819 964
1988 7 666 720 886
1989 32 1 666 934 2 600
1990 12 9 612 895 10 507
1991 38 2480 998 3478
1992 26 13 18 31
1993 23 43 11 54
1994 10 2 3 5
Fonte:Instituto Florestal

  

O concelho de Pampilhosa da Serra caracteriza-se por uma situação generalizada de alto risco de Incêndio Florestal, apesar de nos últimos anos não terem ocorrido grandes incêndios (dados até 94), não justifica que se negligenciem as medidas preventivas. Neste sentido vamos descrever as zonas do município onde se reúnem um conjunto de factores que propiciam condições de elevado perigo potencial de incêndio.

Em termos de freguesias, evidenciam-se a de Fajão, a zona Norte do Pessegueiro e de Pampilhosa da Serra, a Sueste de Pampilhosa da Serra e parte Norte de Dornelas do Zêzere com alto risco de incêndio.

estrutura na rede de caminhos principal e uma outra em que o objectivo é substituir zonas de vegetação menos resistentes ao fogo por outras mais resistentes.

4-Estruturar um conjunto de limpezas de mato ao longo dos principais acessos planeando, não só, a primeira acção como, também, um conjunto temporal de acções que permitam a sua manutenção ao longo do tempo.

5-Em termos de combate, enquanto o sistema rodoviário se mantiver no estado actual é essencial a permanência de meios aéreos de primeira intervenção. Em relação aos meios terrestres, o factor mobilidade intercalado com um bom posicionamento e manutenção de infraestruturas permanentes de apoio ao combate é fundamental para evitar grandes catástrofes.

6-Por último deverá ser feito um esforço no sentido de reconhecer quais as causas mais frequentes dos incêndios neste concelho de modo a adequar a vigilância móvel e preparar as campanhas de sensibilização local.

DADOS OBTIDOS: RELATÓRIO DO PROJECTO DE CARTOGRAFIA DE RISCO DE INCÊNDIO FLORESTAL CRIF-2ª Fase

 Bibliografia
Câmara Municipal de Pampilhosa da Serra, Plano Director Municipal de Pampilhosa da Serra, GITAP.
Chandler, C.; Cheney, P.; Williams, D. (1983), Fire in Forestry- Forest fire behavior and effects. Vol.1 John Wiley, New York.
Ribeiro, O.; Lautensach, H.; Daveau, S. (1987), Geografia de Portugal Vol. I e II; Edições João Sá da Costa; Lisboa
Manano, Nuno; Alegria, Cristina;(Abril 1994); Estudo da Floresta da Região Centro; concelho de Pampilhosa da Serra; Escola Superior Agrária de Castelo Branco; Castelo Branco 
 
Rui Almeida
Jorge Guerreiro
Francisco Grilo
Mário Castro
Carlos Sousa
Patrícia Vinagre
Dora Pinheiro
Pedro Mesquita
Manuel Mendonça
Margarida Silva
Maria de Lurdes Caridade
Hans Daels
Susana Reino
O Coordenador de Projecto
Eng Rui Almeida
Agosto de 1996