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CABRIL PAMPILHOSA DA SERRA     Esta freguesia está situada no prolongamento e vertente sudoeste da serra dos Batoucos, dista cerca de treze quilómetros da sede do concelho da Pampilhosa da Serra. Faz parte do chamado Alto Concelho e compreende os lugares de Cabril, Sanguessuga, Armadouro, Vale Grande, Ribeiros, Praçais, Vale Derradeiro, Algar, Foz do Ribeiro, Porto d’Egua, Vale Mosqueiro, Silva, Sobralinho, Malhou, Lomba da Senhora e Algar.

O termo Cabril deriva do latim Caprilae = Cabra, mas também pode servir para designar um lugar áspero e alcantilado. Qualquer destes significados é bastante plausível para definir o topónimo, uma vez que esta região é ampla de serras ásperas e escarpadas que proporciona a criação de cabras.

No princípio do século XVII, precisamente, no ano de 1614, o lugar do Cabril viria a tornar-se sede da segunda freguesia do concelho da Pampilhosa, e incluía os lugares de Praçais e Sanguessuga. Comprovam esta afirmação os registos da paróquia de S. Domingos do Cabril que tiveram o seu inicio nesta data. Até aí, quer o lugar do Cabril, quer os lugares de Praçais e Sanguessuga integravam a paróquia da Pampilhosa.

RUA TÍPICA DO CABRIL

O documento mais antigo que alude a um dos lugares desta freguesia data, segundo o Dr. Cipriano Nunes Barata, do reinado de D. Afonso V. Esse documento refere-se à localidade de Praçais onde vivia uma mulher de nome Beatriz Fernandes, que foi incriminada pela justiça da Pampilhosa, como praticante de actos de bruxaria

As memórias do cura do Cabril, Manuel Francisco, datadas de 26 de Abril de 1758, revelam que o Cabril era terra de El Rei, termo da vila da Pampilhosa, pertencia à Província da Estremadura, à comarca de Tomar e ao bispado da Guarda; que tem este lugar e os mais da freguesia noventa e sete moradores e que está situado na encosta de um monte", e que a paróquia compreendia "para a parte norte os lugares de Parasais, Sanguessuga, Melo, Sobralinho, todos pequenos. Para a parte do sul, Armadouro e Foz do Ribeiro, também pequenos. No lugar do cabril, para a parte sul corre uma ribeira".

Os frutos de maior abundância eram a castanha e o azeite. Informa ainda que, "a freguesia tem lagares de azeite, cujos donatários, um é o Santíssimo Sacramento da mesma Igreja e o outro he José Cabral de Albuquerque, da vila da Pampilhosa. Tem também alguns moinhos de algumas pessoas para uso particular das suas casas. Tem dois pisonis postos pela câmara da Pampilhosa".

A Paróquia do Cabril de invocação de S. Domingos pertenceu ao Bispado da Guarda até 4/9/1882, altura em que foi transferida para o bispado de Coimbra.

IGREJA PAROQUIAL

Desconhece-se a data da fundação da igreja paroquial desta freguesia, cujo pároco era cura e de apresentação do prior da Pampilhosa e tinha quinze mil réis de renda. No entanto, tudo indica que esta terá sido edificada ou ampliada a partir da pequena capela já existente no lugar do Cabril. Sabe-se que em 1758, a igreja possuía três altares, albergando a capela-mor S.Domingos, o de Evangelho dedicado a Nossa Senhora e o de Epístola dedicado a Sam [ ]. Virgílio Teixeira descreve a igreja paroquial na forma seguinte: "fica no alto da povoação, num socalco de terreno declivoso. Modernizada, é um edifício capaz para a população, mas sem interesse especial. Conserva do antigo as imagens que, na reforma foram colocadas na frontaria, em nichos toscos: S. Domingos no alto, Senhora do Rosário do lado esquerdo, e uma Senhora com o Menino no oposto; obras secundárias dos séculos XVI-XVII. Levanta-se à esquerda da frontaria uma torre. Os altares são modernos e sem interesse".

Em 1758, existiam três ermidas na freguesia do Cabril, uma dedicada a Santa Apolónia, no lugar do Cabril, outra a Santiago, em Praçais e outra a Nossa Senhora da Conceição, no Casal da Sanguessuga.

CAPELA DA SANGUESSUGA

 

Paroquiaram a freguesia do Cabril, entre outros, os padres Jacinto António Lopes, que tomou posse em 1 de Outubro de 1900 e José Maria de Almeida Neves, que tomou posse em 29/7/1909.