
Benjamim Branco
1909 - 1993
Benjamim Domingos Branco foi um daqueles pampilhosenses que se preocuparam com o bem estar do seu semelhante, dedicando grande parte do seu tempo a realizações de interesse colectivo.
Nasceu em Pessegueiro de Cima, em 31 de Agosto de 1909 e faleceu em Lisboa, no dia 13 de Setembro de 1993. Cedo emigrou para Lisboa, quando tinha 20 anos de idade. Recorde-se que, naquela altura, as condições de vida nas duas povoações eram difíceis, pois, segundo o senso de 1911, tinham uma população numerosa – 456 habitantes, ou seja 266 em Pessegueiro de Cima e 190 em Pessegueiro de Baixo, circunstância que obrigou muitos pessegueirenses a procurar noutras paragens o que a terra lhes negava.
Tendo arranjado colocação numa firma de sucatas, em Alcantâra, o jovem Benjamim depressa se integrou e assimilou os segredos do ramo, vindo a estabelecer-se por conta própria, decorridos apenas oito anos, e a granjear a estima e respeito dos colegas de actividade, entre os quais se contavam vários conterrâneos, naturais daquela freguesia.
Foi um dos sócios fundadores da Liga de Melhoramentos da Freguesia de Pessegueiro, criada em 29 de Janeiro de 1939, e exerceu vários cargos associativos, colaborando monetariamente e com esforço e dedicação nas várias realizações da colectividade, designadamente:
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abastecimento de água a Pessegueiro, de Cima e de Baixo, Sobral Bendito e Coelhal;-
abertura da estrada a partir da Catraia de Farropo e sua conservação;-
calcetamento de ruas e travessas nas duas povoações;-
instalação de telefone público;-
construção de edifício dos Correios;-
estrada de ligação entre as duas povoações, a partir da ponte;-
electrificação de Pessegueiro e Carvalho, pagando à CEB a parte das infraestruturas que competiam à C.M.;-
construção da Capela de Nossa Senhora de Lurdes, no alto de Pessegueiro de Cima e arranjo do parque de merendas circundante;-
construção do novo e moderno Centro de Assistência, etc. etc.
Como regionalista, alargou a sua contribuição a outras associações das quais foi sócio, designadamente as de Carvoeiro, Coelhal e Malhadas da Serra. A própria Casa Concelhia beneficiou da sua generosidade, numa altura crítica, mais precisamente em 1973, quando da construção do novo gabinete da direcção. Estavam então os cofres vazios e faltava pagar ao respectivo construtor uma parte substancial do valor acordado.
Como principal responsável pelo elenco directivo, batemos à porta de Benjamim Branco, na companhia do saudoso Manuel Mendes, e não só nos entregou um donativo substancial, como se dispôs a acompanhar-nos a casa de outros conterrâneos e amigos com posses, sensibilizando-os a abrir a bolsa também, tornando assim possível juntar a soma necessária e ajudando a Casa a honrar os seus compromissos.
O seu nome vai ser atribuído ao largo principal de Pessegueiro de Cima, sua terra natal, em reconhecimento dos seus conterrâneos pelo muito que a terra lhe deve. Oxalá a sua recordação possa inspirar os homens de hoje e de amanhã a seguir-lhe o exemplo e a ter presente a máxima de que "o Homem vale, não pelo que herdou do berço nem pelo que tem, mas pelo que faz em benefício dos outros".
António Lourenço
Publicado em "Serras da Pampilhosa", Nº 5, em Novembro de 1999